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Mensagens do Nuno

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O verão mais fresco dos próximos anos

Foram décadas a ignorar avisos científicos que nos trouxeram até aqui, e não parece que vá melhorar tão cedo. Nem em termos climáticos nem políticos.

Olá,

Há três anos publiquei um artigo no Público chamado Bem-vindos ao futuro que criámos. Escrevi-o em março, quando estava a nevar, mas a previsão para o fim de semana seguinte era de 27ºC e as fontes de água potável em Barcelona tinham sido seladas por causa da seca.

Foram décadas a ignorar avisos científicos que nos trouxeram até aqui, e não parece que vá melhorar tão cedo. Nem em termos climáticos nem políticos.

Os anos consecutivos do "verão mais quente de sempre" nas notícias não foram suficientes para impulsionar ação global: a Economia prevaleceu sempre, como se uma coisa pudesse existir sem a outra, e o discurso dos "recordes históricos" carrega a sensação de que se atingiu algum tipo de teto que não voltará a ser ultrapassado facilmente.

A Catarina Barreiros, criadora de conteúdo de sustentabilidade e empreendedora portuguesa, expressou-o com ironia: "Não vejam sempre o copo meio vazio, pense que é o verão mais fresco dos próximos anos."

A ciência diz que estamos prestes a atingir um novo ponto sem retorno, que se atinge quando as alterações no sistema são tão significativas que entramos em ciclos que se reforçam a si próprios e começam a impulsionar de forma autónoma mudanças maiores e imparáveis. Começa com o clima, afeta a natureza, perturba a sociedade e acaba por destabilizar o sistema económico que os decisores políticos tentavam proteger.

Uma imagem bonita da Esferico que mostra que existem formas alternativas de fazer negócio. A Esferico é um promotor da Goparity que trabalha com sequestro de carbono no solo e restauro de terras.

Nos últimos anos, a maioria das previsões mais extremas, como secas, incêndios florestais e inundações, tornaram-se realidade. Perante a urgência, a adaptação é agora a principal prioridade, mas resolver crises, em vez de as prevenir, comporta o risco de excluir as populações mais vulneráveis.

Barcelona criou a sua própria rede de abrigos climáticos, espaços interiores climatizados, acessíveis e gratuitos como bibliotecas públicas ou centros comunitários, e muitas outras cidades estão a seguir o mesmo caminho. Na Suécia existem novas regulamentações sobre temperatura interior em ambientes de trabalho, edifícios públicos ou lares de idosos. E se olharmos para outras cidades em diferentes partes do mundo, como Medellín, Linz ou Istambul, vemos que estas apostaram em plantar árvores para mitigar o aumento das temperaturas. Nova Iorque acaba de anunciar que vai fazer o mesmo.

A regeneração também está a crescer como parte da solução, uma vez que já não é suficiente consumir menos do que o planeta consegue gerar, é preciso também recuperar ambientes degradados. Mas será possível satisfazer as nossas necessidades de produção e estilo de vida ao mesmo tempo que se promove a recuperação da natureza? Acredito que sim, e sobre este tema vi dois documentários que valem a pena ver: Groundswell e Kiss the Ground.

O lugar onde decidimos colocar o nosso dinheiro não é alheio a tudo isto, e como António Miguel, fundador da Maze, costuma dizer, "o impacto é a maior oportunidade de investimento do nosso tempo", porque o clima não é o único problema que o nosso dinheiro pode resolver. Cada euro investido é também uma escolha sobre o futuro social, económico e ambiental que queremos construir. Este trimestre, voltámos a ver o que esse dinheiro, movido com intenção, pode alcançar.

 

Destaques do trimestre

Agora com foco no positivo, o último trimestre deu-nos muitos motivos de orgulho e mais visibilidade sobre os próximos passos da Goparity:

Uma comunidade que se faz notar rapidamente - este trimestre foram totalmente financiadas seis campanhas em menos de 24 horas. Por detrás de cada um desses números está uma empresa pronta a fazer a diferença e uma comunidade que continua a mostrar sem hesitação que quer investir numa mudança positiva. É um dos sinais mais claros de que a confiança nesta missão continua a crescer.

O impacto por detrás da operação - cada projeto financiado este trimestre soma impacto. Em 11 projetos, a nossa comunidade contribuiu para evitar a emissão de mais de 1.800 toneladas de CO2 por ano, para gerar mais de 4.800 MWh de energia limpa anualmente e para atingir 12 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Um lembrete de que o que mais importa é esta diversidade, de setores, de objetivos, de pessoas envolvidas.

Uma nova imagem e uma nova página inicial - o novo website mostra como continuamos a progredir e a repensar a forma como comunicamos para refletir melhor quem somos, porque estamos aqui e para onde vamos. O logótipo é o mesmo, os valores são os mesmos, a missão é a mesma, mas a voz, a imagem e a forma como contamos a nossa história precisavam de se atualizar. Todas as imagens utilizadas são fotografias reais de projetos que juntos financiámos. A Goparity está a tornar-se uma plataforma onde é possível encontrar todas as formas de investir de forma sustentável.

A integração da Bolsa Social está em curso - a integração da Bolsa Social na Goparity atingiu um marco importante. Após a aquisição, lançámos três campanhas de equity que mobilizaram mais de 365.500€, apoiadas por mais de 100 pessoas da sua comunidade investidora. A Bolsa Social encerrou agora os registos de novos utilizadores e não abrirá novas campanhas próprias; todas as novas oportunidades de investimento, tanto em empréstimos como em equity, estão agora concentradas na plataforma Goparity.

 

Notícias dos promotores

Um dos nossos promotores tem uma notícia que merece ser celebrada. A Code for All, empresa portuguesa focada na formação tecnológica, foi colocada em 19.º lugar no ranking mundial da TIME e da Statista das 500 melhores empresas de EdTech, ao lado de nomes como a Duolingo e a Coursera. É a única empresa portuguesa presente na lista e a 4.ª melhor da Europa.

É um reconhecimento bem merecido para uma missão que já dura há mais de uma década: tornar acessíveis as competências tecnológicas relevantes num mercado de trabalho em rápida transformação. Só desde 2025, a Code for All já formou mais de 5.000 profissionais em IA e apoiou mais de 60 empresas a desenvolver essas competências internamente.

Um bom exemplo de que o impacto dos nossos projetos continua a crescer muito depois do investimento inicial. A Code for All já angariou 500.000€, através da Goparity, em 4 campanhas: Code for All, Code for All II, Code for All III e Code for All IV.

Parabéns a toda a equipa. 🎉

 

O que está para vir

Em breve, pode contar com uma campanha da Cooperativa Agraria Sangareni, uma cooperativa de pequenos produtores de café nos Andes peruanos. Fundada para servir as famílias agricultoras da bacia do rio Ene, reúne 379 famílias em seis comunidades, dedicadas ao cultivo de café Arábica biológico de especialidade. Um terço dos seus membros são mulheres, que gerem os seus próprios volumes de café biológico com certificação Fairtrade. Os fundos angariados servirão para financiar a compra de café verde durante a época de colheita de 2026, garantindo que as famílias produtoras nos Andes peruanos recebem um pagamento justo e atempado pela sua colheita.

A campanha terá uma maturidade de 6 meses e uma taxa de juro anual de 9,95%. Mais detalhes em breve.

Pode simular o seu investimento aqui.

O Impact Angels Club está aberto

Como provavelmente sabe, a Bolsa Social tem um historial de investimento em equity (e também de "exits"), que vai servir de ponto de partida para o lançamento do investimento em participações sociais (ações) na Goparity: vamos permitir o investimento através da plataforma, em oportunidades individuais e selecionadas pelos investidores e criar um clube de business angels de impacto.

O "Impact Angels Club" da Goparity, que começará a operar no primeiro trimestre de 2027, é um clube privado de investimento que realiza investimentos em equity em startups em fase inicial com elevado potencial de crescimento e com o impacto bem integrado no seu modelo de negócio. Ou seja, empresas que geram benefícios sociais e ambientais à medida que crescem.

Não partimos do zero. Esta será a segunda edição do clube, construída sobre o Impact Angels Club da Bolsa Social, uma das iniciativas mais distintivas no espaço de investimento de impacto em Espanha nos últimos anos, que reúne alguns dos principais business angels do país e startups muito acarinhadas pela comunidade.

Ao longo de quatro anos, o clube realizou 11 investimentos, incluindo empresas como CoCircular, Recovo, Orygen, Leemons, Banbu, Showee, Robopedics, MiniTales, Visualfy e Naria.

O compromisso por pessoa investidora é de 30.000€, distribuído ao longo de quatro anos em quatro capital calls, com demo days trimestrais para conhecer e votar em oportunidades de investimento pré-selecionadas.

Quem integrar o clube terá acesso prioritário a oportunidades de investimento de impacto, reuniões trimestrais do comité de investimento (virtuais ou presenciais), eventos de networking, webinars e um encontro anual.

A última edição teve 40 participantes, com procura muito acima da oferta. A nova edição estará limitada às primeiras 100 pessoas. É importante referir que, no novo clube, será dada prioridade a quem já integrou a edição anterior, e as primeiras confirmações já começaram a chegar.

Para saber mais, preencha o formulário abaixo e agendarei uma reunião.

Junte-se ao Impact Angels Club!

Nota musical

Adoro música eletrónica. Durante alguns anos, quando era mais novo, tocava como DJ e continuo a ouvi-la muito. Esta música entrou recentemente na minha playlist: The Adventurer de French 79. Chamou-me a atenção pela letra e ficou pelos graves: "It’s time to see the bigger game. We need to kick those bloody self-absorbed thoughts to the curb. It’s time to stop thinkin’ just about ourselves and start givin’ a toss about others."

 

Como sempre, a nossa equipa está disponível se tiver comentários ou questões.

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Quanto poderia estar a ganhar se tivesse investido em todos os projetos que financiámos?

Analisámos a carteira de empréstimos da Goparity desde a criação da empresa e a resposta é uma rentabilidade anual média de 8,71%. Este valor tem em conta cada euro investido, cada reembolso de capital e juros recebidos e o valor dos empréstimos em aberto no final de dezembro de 2025, e também as perdas confirmadas.

Desempenho da carteira

Analisámos a carteira de empréstimos da Goparity desde a criação da empresa e a resposta é uma rentabilidade anual média de 8,71%. Este valor tem em conta cada euro investido, cada reembolso de capital e juros recebidos e o valor dos empréstimos em aberto no final de dezembro de 2025, e também as perdas confirmadas.

Para testar a solidez desse número, corremos dois cenários deliberadamente pessimistas:

a) Se 30% dos empréstimos atualmente sinalizados como em risco fossem realmente perdidos, a rentabilidade baixaria para 7,60% ao ano.

b) Mesmo no caso extremo de todos os empréstimos em risco serem completamente dados como perdidos, algo que as garantias que os suportam tornam virtualmente impossível, a carteira teria ainda assim proporcionado uma rentabilidade de 4,86% ao ano.

Por outras palavras, as rentabilidades mantêm-se bem mesmo assumindo o pior cenário. Isto sem mencionar que o impacto obtido se mantém.

Não somos só nós que o dizemos

Pedro Andersson, um reconhecido jornalista e autor português especializado em finanças pessoais, criador do projeto Contas-poupança, investiu 1000€ na Goparity, noutra plataforma P2P e nos certificados de aforro do Estado português. Todos os meses reporta de forma transparente os resultados.

Leia mais - a atualização de julho aqui

Os nossos projetos

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O que resta quando o fogo passa

Na semana passada, um incêndio florestal de rápida propagação devastou a Namaygoosisagagun First Nation do Ontário, também conhecida como Collins First Nation, uma comunidade indígena no noroeste do Ontário, Canadá, a norte de Thunder Bay.

Na semana passada, um incêndio florestal de rápida propagação devastou a Namaygoosisagagun First Nation, também conhecida como Collins First Nation, uma comunidade indígena no noroeste de Ontário, Canadá, a norte de Thunder Bay. Casas e edifícios foram destruídos. Os evacuados estão agora a dormir nos seus carros em Thunder Bay, porque não restam quartos de hotel disponíveis para os acolher. Armstrong, Whitesand First Nation, Gull Bay First Nation, Lac des Mille Lacs First Nation e Lac La Croix First Nation também receberam ordens de evacuação, sendo a maioria realojada para sul, ao longo do mesmo corredor sobrecarregado.

Vale a pena refletir sobre o que isto significa realmente. Não é uma contagem de hectares. É um lar.

Já vimos o que acontece depois. Em julho de 2024, um incêndio florestal devastou Jasper, uma cidade situada num parque nacional em Alberta, destruindo 358 das 1.113 estruturas da localidade em poucas horas. Dois anos depois, a reconstrução continua a avançar lentamente. Até à primavera deste ano, apenas 16 casas e edifícios tinham sido totalmente recuperados, com outros 75 em construção, de um total de mais de 370 propriedades destruídas. As famílias passaram esse tempo em apartamentos, parques de campismo e casas alugadas, vendo o seu bairro tornar-se lentamente, como disse um residente, “o bairro de outra pessoa”.

Essa é a parte que não entra nas contagens de hectares nem nos mapas de risco de incêndio: perder uma casa não é apenas uma noite má. É um processo de vários anos de burocracia, chamadas para seguradoras e espera, muitas vezes numa cidade que já não tem capacidade habitacional para acolher todos enquanto esperam.

 

Uma forma diferente de construir

Uma das nossas entidades financiadas no Canadá, a Build Smartr, está a tentar mudar essa realidade. A empresa sediada na Colúmbia Britânica, fundada por Harv Sidhu, fabrica painéis de parede, vigas e treliças de estrutura de aço pré-fabricados para casas e edifícios de baixa altura, em substituição da estrutura convencional de madeira. As suas estruturas de aço são dimensionalmente estáveis, feitas com até 99% de material reciclado e não ardem.  

O negócio da Build Smartr baseia-se numa versão desta pergunta: se sabemos que as casas vão enfrentar mais incêndios, mais inundações e condições meteorológicas mais extremas, porque continuamos a construí-las da mesma forma?

"Precisamos de construir edifícios mais resilientes que resistam aos incêndios florestais...", disse Sidhu numa conversa em 2025 com a equipa da Goparity Canada. "...edifícios e casas que durem mais tempo ou sofram menos danos. Estamos realmente a ver o aço a tornar-se um protagonista nesse espaço, uma vez que cria casas não combustíveis. Precisamos de tornar as casas mais fortes para que durem mais tempo."

A oportunidade da Build Smartr surgiu quando a BC Housing precisou de um empreiteiro para um edifício de oito andares em Langley, perto de Vancouver, depois de uma versão anterior do projeto, com estrutura de madeira e cerca de seis andares, ter ardido a meio da construção. A cidade respondeu exigindo que a reconstrução fosse não combustível, e a estrutura de aço da Build Smartr cumpria o requisito. Como Sidhu disse à Canadian Manufacturing, a vantagem do aço é que é mais forte, dura mais tempo e não é combustível, um argumento que se torna cada vez mais difícil de ignorar a cada época de incêndios.

 

O papel da Goparity

Financiámos três campanhas distintas com a Build Smartr através da nossa plataforma, num total de 220.000 dólares canadianos (cerca de 137 mil euros), tendo a mais recente terminado em janeiro passado. Esse dinheiro veio de centenas de investidores comuns que reuniram os seus investimentos para apoiar uma empresa que trabalha na construção de casas mais resilientes perante os incêndios florestais.  

Não vamos fingir que isto é uma solução para o que está a acontecer no noroeste de Ontário neste momento, ou para o que Jasper continua a viver dois anos depois. Não é. Os materiais não travam um incêndio por si só, e nenhum sistema de estrutura resolve o problema subjacente de um clima mais quente e seco que gera épocas de incêndios mais perigosas. Construtores que seguiram todas as diretrizes provinciais do FireSmart, o programa de preparação para incêndios florestais do Canadá, perderam casas este ano.

O que isto é, é um exemplo do tipo de escolha que é feita muito antes de um incêndio começar, num estaleiro de madeira ou numa oficina de aço, meses ou anos antes de alguém ter de ser evacuado. Achamos que essa escolha merece ser financiada e merece ser discutida, mesmo numa semana em que é difícil falar de qualquer outra coisa.

Se é uma das milhares de pessoas atualmente deslocadas no noroeste de Ontário, ou se está a ver alguém que ama passar por isso, os nossos pensamentos estão consigo.

Se procura uma forma de ajudar diretamente, a 7.ª Geração da Nação Anishinabek A instituição de caridade está a recolher donativos especificamente para a Namaygoosisagagun First Nation, cobrindo bens de emergência, abrigo temporário e recursos essenciais para a comunidade acima mencionada. O Canadian Red Cross's Canadian Wildfire Fund está a apoiar a resposta mais alargada em todo o noroeste do Ontário, incluindo serviços de apoio a evacuados em Thunder Bay.

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Diversificação: O que significa realmente e como alcançá-la

A diversificação é um dos temas centrais nas conversas sobre aconselhamento de investimento. Desde que os mercados se tornaram mais acessíveis, tem havido uma forte ênfase na importância de ter uma carteira diversificada, mas o que é a diversificação e como pode ser realmente alcançada?

Risco não sistemático e sistemático

A diversificação é um dos principais tópicos de conversa quando se fala em aconselhamento de investimento. Desde que os mercados se tornaram mais acessíveis, tem havido uma forte ênfase na importância de ter uma carteira diversificada, mas o que é a diversificação e como pode ser realmente alcançada?

Todos sabem que o risco é uma parte inevitável do investimento; afinal, não há almoços grátis. Normalmente, ao escolher investimentos, estamos expostos a dois tipos de risco: não sistemático (também chamado de idiossincrático) e sistemático. O primeiro é o risco específico da empresa; pode ser o risco associado a litígios desfavoráveis, uma catástrofe natural que afete a sede de uma empresa, e assim por diante. O segundo é o risco de mercado, e relaciona-se com o grau em que um investimento acompanha o mercado global.

 

Construir uma carteira diversificada

É aqui que a diversificação entra em jogo. Essencialmente, diversificar uma carteira significa distribuir os investimentos por vários ativos diferentes para ajudar a gerir ambos os tipos de risco (embora, como veremos, não o faça de forma igual).

Ao deter uma carteira de, digamos, milhares de ações, cada uma com um peso relativamente baixo, reduz o impacto de qualquer evento específico de uma empresa. Se um investimento tiver um mau desempenho, é improvável que tenha um efeito significativo no desempenho global da sua carteira. É aqui que a diversificação faz o que melhor sabe fazer: eliminar quase totalmente o risco não sistemático.

Com o risco sistemático, as coisas não são tão lineares. Este é o risco inerente à exposição ao próprio mercado, impulsionado por forças abrangentes como as taxas de juro, a inflação ou as recessões, que afetam quase todos os ativos até certo ponto. Pode combinar classes de ativos que historicamente tiveram uma correlação baixa ou negativa (ou seja, cujos retornos não se moveram historicamente na mesma direção e na mesma medida) para suavizar a volatilidade global da sua carteira. No entanto, isto não eliminará totalmente o risco sistemático, uma vez que as correlações históricas não são uma lei fixa.

As ações e as obrigações são o exemplo recente mais claro. Historicamente, ambas as classes de ativos tinham uma relação inversa, sendo que a correlação de retorno a longo prazo entre ações e obrigações foi amplamente negativa desde a década de 1990. Contudo, isso mudou em 2022, ano que representou a primeira vez desde 1977 em que tanto as ações como as obrigações registaram retornos negativos no mesmo ano. Embora alguns dados mostrem que esta relação inversa foi parcialmente retomada em 2023, este continua a ser um lembrete de que as correlações históricas entre classes de ativos não são uma lei fixa e podem mudar com o ambiente macroeconómico.

Erros comuns de diversificação a evitar

Embora a diversificação seja uma estratégia crucial para gerir o risco de investimento, os investidores devem estar atentos a algumas armadilhas comuns:

  1. Diversificação excessiva. Distribuir o dinheiro por demasiados fundos com ativos sobrepostos não acrescenta grande proteção (pode apenas aumentar os custos e a complexidade do investimento, sem reduzir significativamente o risco).
  1. Confundir "diferente" com "não correlacionado". A verdadeira diversificação significa escolher ativos que não se movem na mesma direção ao mesmo tempo. Por exemplo, comprar ouro, prata e platina pode parecer variedade, mas como estes metais se comportam frequentemente de forma semelhante, não proporcionam o tipo de diversificação que os investidores geralmente procuram.
  1. Ignorar o reequilíbrio. As carteiras de investimento desviam-se à medida que alguns ativos crescem mais rapidamente do que outros. Sem um reequilíbrio periódico para os pesos-alvo, uma carteira pode acabar muito mais concentrada e muito mais arriscada do que o pretendido inicialmente.

Não se esqueça também de que pode diversificar distribuindo os seus investimentos por vários setores (como tecnologia, cuidados de saúde, energia e finanças), por diversas regiões geográficas, capitalizações de mercado, estilos de investimento, entre outros.

Conclusão

A diversificação é uma abordagem fundamental para gerir o risco de investimento e apoiar o crescimento a longo prazo. Embora não garanta lucros nem elimine perdas, a construção de uma carteira bem diversificada pode ajudar a reduzir o impacto das oscilações do mercado e conduzir a retornos mais estáveis ao longo do tempo.

Os nossos projetos

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Banbu: cosméticos limpos que começam com uma história pessoal

O catálogo da Banbu abrange mais de 130 produtos para cabelo, corpo, rosto, higiene oral e perfumaria. Todos são fabricados localmente em Espanha, com embalagens biodegradáveis ou compostáveis. O fabrico é subcontratado a um produtor espanhol, mas a Banbu mantém a propriedade intelectual total sobre todas as suas fórmulas, registadas no CPNP.

Olá,

Um novo projeto está a chegar à Goparity - e é um com uma história que vale a pena contar. Banbu é uma marca espanhola construída sobre uma convicção simples, mas séria: os produtos que as pessoas usam diariamente não devem prejudicá-las.

🌿 Onde tudo começou

A cofundadora da Banbu, Verónica, tinha 18 anos quando foi diagnosticada com síndrome do ovário poliquístico e teve de ser submetida a uma cirurgia ginecológica de emergência. O que se seguiu foram anos de investigação sobre saúde hormonal - e uma descoberta que mudou o rumo da sua vida.

Os produtos que usava diariamente, champôs, desodorizantes, hidratantes, continham desreguladores endócrinos: substâncias capazes de interferir com o sistema hormonal do corpo. Eram legais, amplamente vendidos e quase totalmente invisíveis para os consumidores. Não conseguia encontrar produtos em que confiasse plenamente. Por isso, criou-os.

Banbu nasceu dessa decisão. Cada fórmula é vegan, sem água e livre de desreguladores endócrinos. Cada produto é enviado sem plásticos de uso único. É uma missão com uma linha de produtos - e uma comunidade crescente de pessoas que decidiram que merecem algo melhor.

🫧 O que a Banbu faz

O catálogo da Banbu abrange mais de 130 produtos para cabelo, corpo, rosto, higiene oral e perfumaria. Todos são fabricados localmente em Espanha, com embalagens biodegradáveis ou compostáveis. O fabrico é subcontratado a um produtor espanhol, mas a Banbu mantém a propriedade intelectual total sobre todas as suas fórmulas, registadas no CPNP.

A marca opera através de um modelo híbrido: uma loja online direta, três lojas físicas em Bilbau, Barcelona e San Sebastián, e uma rede B2B de mais de 300 retalhistas multimarca e distribuidores internacionais em Espanha, Portugal, Itália, Países Baixos e Alemanha.

📊 Para que serão utilizados os fundos

Os fundos angariados através desta campanha irão financiar parcialmente o plano de crescimento estratégico da Banbu para 2026 a 2028. O plano foca-se em três áreas:

  • 💰 Inventário para apoiar o aumento esperado nas vendas
  • 📣 Marketing e aquisição de clientes, incluindo publicidade digital, otimização de e-commerce e conteúdo educativo sobre saúde hormonal
  • 🔬 Investigação e desenvolvimento, abrangendo novas fórmulas anidras e software proprietário de rastreabilidade e impacto

O objetivo é acelerar a aquisição de clientes, melhorar a retenção, expandir para novos canais de venda e consolidar a rentabilidade operacional até 2027.

🌱 O impacto que a Banbu cria

Cada produto que a Banbu vende remove uma alternativa desreguladora endócrina da rotina de um consumidor. Em grande escala, isso acumula-se.

Até 2026, as operações da Banbu deverão gerar:

  • ♻️ 334 toneladas de CO₂ evitadas
  • 💧 442.300 litros de água doce poupada
  • 📦 653.744 unidades de embalagem evitadas

A Banbu utiliza apenas materiais reutilizáveis para embalagens – alumínio, papel e vidro. 100% do papel utilizado é reciclável, proveniente de produtores certificados PEFC e FSC. 20% dos produtos estão disponíveis com sistemas de recarga, reduzindo ainda mais o desperdício de embalagens. E ao produzir cosméticos sólidos em vez de alternativas líquidas com alto teor de água, a marca reduz significativamente o consumo de água no ponto de fabrico.

👥 A equipa

A Banbu foi cofundada por Verónica Diez, CMO, que traz mais de oito anos de experiência em e-commerce e marketing digital, e Rodrigo Folgueira, CEO, com formação em engenharia aeronáutica e mais de uma década de experiência em vendas e gestão de equipas. A CFO da empresa, Sara Amor, tem oito anos de experiência em administração e finanças em vários setores.

Os investimentos realizados através da plataforma Goparity comportam riscos, incluindo o risco de perda parcial ou total do capital. Os reembolsos dos empréstimos são efetuados pelo promotor através da plataforma. O desempenho passado não garante resultados futuros.

Mensagens do Nuno

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De Bruxelas a Kuala Lumpur: 20 anos de convicção energética

Provavelmente não sabe isto sobre mim, mas um dos meus primeiros empregos depois da universidade foi no Parlamento Europeu. Após uma breve experiência em certificação e inspeção quando me formei, tive a sorte de conhecer alguém (a fazer surf, porque é assim que a vida acontece) que me ofereceu um estágio não remunerado no Parlamento Europeu em Bruxelas.

Querida comunidade,

Provavelmente não sabem isto sobre mim, mas um dos meus primeiros trabalhos pós-universitários foi no Parlamento Europeu. Depois de uma curta experiência em certificação e inspeção quando me formei, tive a sorte de conhecer alguém (a fazer surf, porque a vida é assim) que me ofereceu um estágio não remunerado no Parlamento Europeu em Bruxelas. Não sabia nada sobre política, mas era uma função de assistência técnica no estrangeiro, por isso aceitei.

Quando estava prestes a terminar esse estágio, quase sem dinheiro e desempregado, houve eleições presidenciais em Portugal. O novo presidente contratou pessoal do Parlamento Europeu, e fui convidado a ficar.

No Parlamento Europeu, acompanhei as comissões do Ambiente, Investigação & Indústria e Energia. Durante mais dois anos, vivi o projeto europeu, tive colegas de mais de 25 países diferentes e aprendi com importantes políticos, cientistas, debates, ONGs e representantes da indústria. Apoiei a tomada de decisões em várias políticas importantes, incluindo o pacote “20-20-20”, uma iniciativa emblemática que reforçou a liderança política da Europa nas energias renováveis e no clima.

Esta imagem que vi recentemente numa publicação do LinkedIn lembrou-me desses dias em meados dos anos 2000. Cada política energética discutida incluía palavras como “segura”, “competitiva” e “independência energética” juntamente com outras como “limpa”, “descentralizada” e “acessível”. Este livro verde foi onde tudo começou (para mim, claro).

Por muito que as críticas contestassem e os lobistas se manifestassem contra, a Comissão Europeia sempre deixou muito claro: sim, é possível, e devemos lutar pelo melhor de dois mundos (na verdade, três): a energia pode ser limpa, segura e acessível.

20 anos depois, as energias renováveis, especialmente a solar e a eólica, continuam a “chocar” constantemente os mercados de energia com baixos custos de produção de eletricidade em todo o mundo e a energia solar atingiu a paridade de rede em quase toda a Europa durante a década de 2010.

Na Goparity, a nossa comunidade tem feito parte desta mudança. Quase metade de todos os projetos na nossa plataforma enquadram-se na categoria de Energia Sustentável, representando mais de 20,7 milhões de euros emprestados.

Juntos, estimamos que todos os projetos que financiámos geram 36,4 GWh por ano. Considerando apenas os 150 empréstimos liquidados que realmente medimos, o seu impacto real confirmado já é de 6,7 GWh gerados ou poupados, e 14.000 toneladas de CO₂ evitadas por ano (equivalente a plantar mais de 600.000 árvores).

Estes são números que só podíamos sonhar em ver do financiamento cidadão, naqueles tempos em Bruxelas.

Destaques do trimestre

🌱 Metodologia de impacto mais robusta: trabalhámos com o Laboratório de Finanças Alternativas do PNUD para melhorar o nosso quadro de impacto, refinando categorias, alinhando com os ODS e reforçando a forma como medimos e comunicamos o impacto.

👥 Traga um amigo (ou mais): lançámos um programa de recomendação renovado. Partilhe o seu link, e se o seu amigo investir 20€, ambos recebem mais 20€ para investir. Tal como a política 20-20-20 de Bruxelas.

🤝 Investimento em capital próprio: após a aquisição da Bolsa Social, lançámos as nossas primeiras campanhas de capital próprio em Espanha sob a marca "Bolsa Social by Goparity". A próxima estará disponível diretamente na Goparity.

♀️Parceria com a FemTech Portugal: assinámos uma parceria com a FemTech Portugal para abrir os projetos de inovação em saúde feminina subfinanciados à nossa comunidade, refletindo um compromisso a longo prazo com a equidade de género nas finanças, sobre o qual escrevi pela primeira vez em 2023.

Primeiro projeto no Sudeste Asiático, com uma garantia de primeira perda: dois marcos numa só campanha.

Aquila é o primeiro projeto da Goparity na Malásia, financiando 58 sistemas solares fotovoltaicos em telhados para famílias malaias, gerando 696 MWh de energia limpa por ano e evitando 538 toneladas de CO₂ anualmente. A Aquila ajuda pequenas e médias empresas em todo o Sudeste Asiático a aceder a financiamento para energia limpa, e esta campanha permite especificamente às famílias malaias instalar painéis solares em telhados sem custos iniciais.

Pela primeira vez, uma campanha da Goparity inclui uma garantia de primeira perda. A Energy4Impact, impulsionada pela Mercy Corps, ativou uma garantia de primeira perda de 60.000€, o que significa que, em caso de perda de capital, 20% do valor do seu empréstimo está coberto, para além do pacote de segurança existente da Aquila.

Uma garantia de primeira perda tem sido uma das funcionalidades mais solicitadas pela nossa comunidade. Estruturas como esta ajudam a desbloquear capital privado para comunidades onde o financiamento é a principal barreira à adoção de energia limpa. Este é exatamente o tipo de problema que queremos resolver.

Relatório de Impacto 2025

Uma pergunta sempre esteve no centro do que fazemos: isto funciona mesmo? Não em abstrato, mas em termos reais e mensuráveis. Os nossos Relatórios de Impacto são a nossa tentativa mais honesta de responder a isso e tenho orgulho em dizer que a edição de 2025 já está disponível.

Este ano, propusemo-nos a tornar mais explícita a ligação entre capital e impacto: quanto é que cada euro que investe realmente faz a diferença? Recolhemos dados de todos os projetos financiados, ligámo-los a indicadores mensuráveis e traduzimo-los em números concretos e comparáveis. O resultado é um relatório que reflete não só o que construímos, mas também aquilo a que o seu investimento contribui.

Espero que mostre o que o seu dinheiro está realmente a construir.

Veja

Notícias dos nossos projetos

🌊 Sea4Paino pedido de ensaio clínico ou o seu programa analgésico foi aprovado. Este é um marco científico importante para a Sea4Us.

🌿 Valcon Medical reforçou as suas capacidades de fabrico EU-GMP e estabeleceu uma parceria com uma grande empresa farmacêutica europeia. Já criou também 3 dos 10 postos de trabalho a que se comprometeu ao contrair o empréstimo.

🫔 Artisan TropicA sua nova instalação de processamento de grau alimentar e o equipamento de produção integrado deverão ser concluídos até ao final de 2026 ou início de 2027.

🏗 Vila Sustainable School: recuperação total alcançada.

Já escrevi muitas vezes sobre recuperação de crédito nestas newsletters, e continuarei a fazê-lo porque a transparência neste assunto é inegociável. Este é digno de celebração.

Após os primeiros três empréstimos (I, II, III) à Vila Sustainable School terem entrado em incumprimento durante o primeiro trimestre de 2025, a nossa equipa iniciou procedimentos formais de recuperação para executar a garantia imobiliária que os apoiava.

A 27 de abril, a venda da propriedade foi concluída, e a 6 de maio o capital e os juros totais foram transferidos para as carteiras dos investidores.

Este é um dos resultados de recuperação mais importantes na história da Goparity e reflete algumas coisas sobre as quais falo frequentemente:

  1. A importância de garantias reais a apoiar projetos garantidos;
  2. O valor do trabalho jurídico diligente e persistente;
  3. A importância da paciência: a recuperação e a negociação levam tempo, envolvem terceiros e, muito frequentemente, tribunais que trabalham ao seu próprio ritmo.  

E há uma nota positiva importante para o impacto, também: a escola continuará a funcionar, apenas o edifício mudou de proprietário.

O que se segue

🎨 Atualização da Marca: Em breve, notará que a Goparity soa e parece um pouco diferente. Não é uma reformulação da marca, mas sim uma evolução. E não encontrará uma única imagem gerada por IA. Os projetos que a nossa comunidade financiou ao longo dos anos contam a história melhor do que qualquer coisa que uma máquina pudesse gerar.

🖥️ Novo website:🎨 Um novo website está também a caminho. Construímo-lo para refletir o quão longe a plataforma chegou e para abrir espaço para o que vem a seguir: uma gama mais vasta de opções de investimento sustentável, tudo num só lugar.

🤝 Primeira campanha de capital próprio: A comunidade Goparity poderá investir em capital próprio diretamente na Goparity. Um marco para o qual temos vindo a trabalhar há muito tempo, e que abre um novo capítulo no que o investimento de impacto pode significar nesta plataforma.

Nos bastidores: a equipa a trabalhar no que se segue para a Goparity.

📺 Estivemos na televisão

Fomos apresentados num episódio de Inteligência Portuguesa a 11 de maio. Pode ver o episódio, que é em português:

  • Em direto a 17 de maio de 2026 em RTP Mundo Ásia
  • Em direto a 24 de maio de 2026 em RTP Mundo
  • A qualquer momento, se estiver em Portugal, em RTP Play aqui ->>

🙋‍♂️ A pergunta

Parte do que distingue a Goparity é com quem crescemos! E isso inclui as empresas que agora podemos apoiar ao longo de toda a sua jornada, desde a ambição inicial até ao impacto em larga escala.

Por isso, quero perguntar-lhe: que marca ou empresa gostaria de ver na Goparity?

🎵 Nota musical: Ultimamente tenho ouvido muito “She’s a rainbow” dos Rolling Stones. Uma canção que poderia ser sobre uma rapariga ou amor, mas também sobre a primavera e trazer cor a um mundo de outra forma cinzento. A primavera parece sempre uma oportunidade, ou a preparação para algo bom ou grande. É assim que se sente na Goparity atualmente.

Se acredita no que estamos a construir na Goparity, por favor partilhe a sua experiência aqui. O seu feedback não só nos ajuda a melhorar, como também ajuda mais pessoas a descobrir o investimento de impacto.

Na imprensa

Destaque pelo impacto

Como a Goparity está a ajudar a transformar as finanças sustentáveis em mudança real.

O nosso impacto

Veja como os seus investimentos ajudam a construir uma economia mais sustentável e inclusiva.

Como investir

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