Olá,
Há três anos publiquei um artigo no Público chamado Bem-vindos ao futuro que criámos. Escrevi-o em março, quando estava a nevar, mas a previsão para o fim de semana seguinte era de 27ºC e as fontes de água potável em Barcelona tinham sido seladas por causa da seca.
Foram décadas a ignorar avisos científicos que nos trouxeram até aqui, e não parece que vá melhorar tão cedo. Nem em termos climáticos nem políticos.
Os anos consecutivos do "verão mais quente de sempre" nas notícias não foram suficientes para impulsionar ação global: a Economia prevaleceu sempre, como se uma coisa pudesse existir sem a outra, e o discurso dos "recordes históricos" carrega a sensação de que se atingiu algum tipo de teto que não voltará a ser ultrapassado facilmente.
A Catarina Barreiros, criadora de conteúdo de sustentabilidade e empreendedora portuguesa, expressou-o com ironia: "Não vejam sempre o copo meio vazio, pense que é o verão mais fresco dos próximos anos."
A ciência diz que estamos prestes a atingir um novo ponto sem retorno, que se atinge quando as alterações no sistema são tão significativas que entramos em ciclos que se reforçam a si próprios e começam a impulsionar de forma autónoma mudanças maiores e imparáveis. Começa com o clima, afeta a natureza, perturba a sociedade e acaba por destabilizar o sistema económico que os decisores políticos tentavam proteger.

Nos últimos anos, a maioria das previsões mais extremas, como secas, incêndios florestais e inundações, tornaram-se realidade. Perante a urgência, a adaptação é agora a principal prioridade, mas resolver crises, em vez de as prevenir, comporta o risco de excluir as populações mais vulneráveis.
Barcelona criou a sua própria rede de abrigos climáticos, espaços interiores climatizados, acessíveis e gratuitos como bibliotecas públicas ou centros comunitários, e muitas outras cidades estão a seguir o mesmo caminho. Na Suécia existem novas regulamentações sobre temperatura interior em ambientes de trabalho, edifícios públicos ou lares de idosos. E se olharmos para outras cidades em diferentes partes do mundo, como Medellín, Linz ou Istambul, vemos que estas apostaram em plantar árvores para mitigar o aumento das temperaturas. Nova Iorque acaba de anunciar que vai fazer o mesmo.
A regeneração também está a crescer como parte da solução, uma vez que já não é suficiente consumir menos do que o planeta consegue gerar, é preciso também recuperar ambientes degradados. Mas será possível satisfazer as nossas necessidades de produção e estilo de vida ao mesmo tempo que se promove a recuperação da natureza? Acredito que sim, e sobre este tema vi dois documentários que valem a pena ver: Groundswell e Kiss the Ground.
O lugar onde decidimos colocar o nosso dinheiro não é alheio a tudo isto, e como António Miguel, fundador da Maze, costuma dizer, "o impacto é a maior oportunidade de investimento do nosso tempo", porque o clima não é o único problema que o nosso dinheiro pode resolver. Cada euro investido é também uma escolha sobre o futuro social, económico e ambiental que queremos construir. Este trimestre, voltámos a ver o que esse dinheiro, movido com intenção, pode alcançar.
Destaques do trimestre
Agora com foco no positivo, o último trimestre deu-nos muitos motivos de orgulho e mais visibilidade sobre os próximos passos da Goparity:
Uma comunidade que se faz notar rapidamente - este trimestre foram totalmente financiadas seis campanhas em menos de 24 horas. Por detrás de cada um desses números está uma empresa pronta a fazer a diferença e uma comunidade que continua a mostrar sem hesitação que quer investir numa mudança positiva. É um dos sinais mais claros de que a confiança nesta missão continua a crescer.
O impacto por detrás da operação - cada projeto financiado este trimestre soma impacto. Em 11 projetos, a nossa comunidade contribuiu para evitar a emissão de mais de 1.800 toneladas de CO2 por ano, para gerar mais de 4.800 MWh de energia limpa anualmente e para atingir 12 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Um lembrete de que o que mais importa é esta diversidade, de setores, de objetivos, de pessoas envolvidas.
Uma nova imagem e uma nova página inicial - o novo website mostra como continuamos a progredir e a repensar a forma como comunicamos para refletir melhor quem somos, porque estamos aqui e para onde vamos. O logótipo é o mesmo, os valores são os mesmos, a missão é a mesma, mas a voz, a imagem e a forma como contamos a nossa história precisavam de se atualizar. Todas as imagens utilizadas são fotografias reais de projetos que juntos financiámos. A Goparity está a tornar-se uma plataforma onde é possível encontrar todas as formas de investir de forma sustentável.
A integração da Bolsa Social está em curso - a integração da Bolsa Social na Goparity atingiu um marco importante. Após a aquisição, lançámos três campanhas de equity que mobilizaram mais de 365.500€, apoiadas por mais de 100 pessoas da sua comunidade investidora. A Bolsa Social encerrou agora os registos de novos utilizadores e não abrirá novas campanhas próprias; todas as novas oportunidades de investimento, tanto em empréstimos como em equity, estão agora concentradas na plataforma Goparity.
Notícias dos promotores
Um dos nossos promotores tem uma notícia que merece ser celebrada. A Code for All, empresa portuguesa focada na formação tecnológica, foi colocada em 19.º lugar no ranking mundial da TIME e da Statista das 500 melhores empresas de EdTech, ao lado de nomes como a Duolingo e a Coursera. É a única empresa portuguesa presente na lista e a 4.ª melhor da Europa.
É um reconhecimento bem merecido para uma missão que já dura há mais de uma década: tornar acessíveis as competências tecnológicas relevantes num mercado de trabalho em rápida transformação. Só desde 2025, a Code for All já formou mais de 5.000 profissionais em IA e apoiou mais de 60 empresas a desenvolver essas competências internamente.
Um bom exemplo de que o impacto dos nossos projetos continua a crescer muito depois do investimento inicial. A Code for All já angariou 500.000€, através da Goparity, em 4 campanhas: Code for All, Code for All II, Code for All III e Code for All IV.
Parabéns a toda a equipa. 🎉
O que está para vir
Em breve, pode contar com uma campanha da Cooperativa Agraria Sangareni, uma cooperativa de pequenos produtores de café nos Andes peruanos. Fundada para servir as famílias agricultoras da bacia do rio Ene, reúne 379 famílias em seis comunidades, dedicadas ao cultivo de café Arábica biológico de especialidade. Um terço dos seus membros são mulheres, que gerem os seus próprios volumes de café biológico com certificação Fairtrade. Os fundos angariados servirão para financiar a compra de café verde durante a época de colheita de 2026, garantindo que as famílias produtoras nos Andes peruanos recebem um pagamento justo e atempado pela sua colheita.
A campanha terá uma maturidade de 6 meses e uma taxa de juro anual de 9,95%. Mais detalhes em breve.
Pode simular o seu investimento aqui.
O Impact Angels Club está aberto
Como provavelmente sabe, a Bolsa Social tem um historial de investimento em equity (e também de "exits"), que vai servir de ponto de partida para o lançamento do investimento em participações sociais (ações) na Goparity: vamos permitir o investimento através da plataforma, em oportunidades individuais e selecionadas pelos investidores e criar um clube de business angels de impacto.
O "Impact Angels Club" da Goparity, que começará a operar no primeiro trimestre de 2027, é um clube privado de investimento que realiza investimentos em equity em startups em fase inicial com elevado potencial de crescimento e com o impacto bem integrado no seu modelo de negócio. Ou seja, empresas que geram benefícios sociais e ambientais à medida que crescem.
Não partimos do zero. Esta será a segunda edição do clube, construída sobre o Impact Angels Club da Bolsa Social, uma das iniciativas mais distintivas no espaço de investimento de impacto em Espanha nos últimos anos, que reúne alguns dos principais business angels do país e startups muito acarinhadas pela comunidade.
Ao longo de quatro anos, o clube realizou 11 investimentos, incluindo empresas como CoCircular, Recovo, Orygen, Leemons, Banbu, Showee, Robopedics, MiniTales, Visualfy e Naria.
O compromisso por pessoa investidora é de 30.000€, distribuído ao longo de quatro anos em quatro capital calls, com demo days trimestrais para conhecer e votar em oportunidades de investimento pré-selecionadas.
Quem integrar o clube terá acesso prioritário a oportunidades de investimento de impacto, reuniões trimestrais do comité de investimento (virtuais ou presenciais), eventos de networking, webinars e um encontro anual.
A última edição teve 40 participantes, com procura muito acima da oferta. A nova edição estará limitada às primeiras 100 pessoas. É importante referir que, no novo clube, será dada prioridade a quem já integrou a edição anterior, e as primeiras confirmações já começaram a chegar.
Para saber mais, preencha o formulário abaixo e agendarei uma reunião.
Junte-se ao Impact Angels Club!
Nota musical
Adoro música eletrónica. Durante alguns anos, quando era mais novo, tocava como DJ e continuo a ouvi-la muito. Esta música entrou recentemente na minha playlist: The Adventurer de French 79. Chamou-me a atenção pela letra e ficou pelos graves: "It’s time to see the bigger game. We need to kick those bloody self-absorbed thoughts to the curb. It’s time to stop thinkin’ just about ourselves and start givin’ a toss about others."
Como sempre, a nossa equipa está disponível se tiver comentários ou questões.
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