A produção de ostras é amiga do ambiente?

ago 13, 2019

A produção de ostras é amiga do ambiente?

por Francisco Neto Bernardino (Chief Scientific Officer da Oysterworld)

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A produção da ostra (e outros bivalves) é a única actividade aquícola que não necessita de Estudo de Impacto Ambiental. Isto deve-se ao facto de o próprio Estado reconhecer que o impacto desta actividade no meio ambiente é neutra ou positiva.


Porquê Neutra?

Tem um impacto neutro porque, em primeiro lugar, as ostras não necessitam de ração para crescer. O alimento (o plâncton) encontra-se de forma natural no meio aquático, pelo que não se está a introduzir uma carga de nutrientes na água de forma artificial, nem se está a delapidar recursos para produzir a própria ração.

Em segundo lugar, este tipo de produção não utiliza antibióticos, vacinas ou qualquer outro tipo de produto químico.

Em terceiro lugar (este aspecto pode ser considerado mais positivo do que neutro), a produção das ostras reduz a necessidade de recorrer à extracção de ostras dos bancos naturais. Este aspecto é muito importante pois os bancos naturais que existem são frágeis e nos estágios iniciais de recuperação. Importa lembrar que até ao início dos anos 70, era Portugal o principal fornecedor de ostras para a Europa; os bancos naturais de ostra do Sado e do Tejo produziam milhares de toneladas anualmente. Infelizmente, a produção industrial e naval sem cuidados ambientais poluiu de tal forma as águas que as ostras se tornaram extintas no Tejo e restaram apenas uns pequenos bancos naturais no Sado. São precisamente estes bancos que recomeçam a expandir, pouco a pouco, o que é um claro sinal da boa qualidade das águas.


Porquê Positiva?

CO2 – remoção de carbono da atmosfera a longo prazo:

Os oceanos e as florestas são os grandes absorvedores do CO2 que é libertado para a atmosfera. As florestas e as algas do mar, por serem seres vivos, fixam o carbono por um período limitado de tempo uma vez que, na sua decomposição, este é novamente libertado. Nos bivalves o mesmo não acontece. A concha dos bivalves é feita de carbonato de cálcio (CaCO3) o que significa que o carbono está mineralizado; solido. Dificilmente é libertado de volta para o ambiente. Na prática, uma produção massiva de bivalves poderia devolver o equilíbrio ao sistema terrestre, absorvendo não só o CO2 que é lançado na atmosfera como o que já foi absorvido em excesso pelos oceanos e contribui para a sua acidificação. Matar-se-iam dois coelhos de uma só cajadada: equilíbrio ambiental e uma enorme fonte de proteína saudável. O principal problema para um projecto destes é simplesmente o custo e a complicação técnica de se produzir em mar aberto (sim, teria de ser em alto mar).

Biofiltro Natural

Os bivalves têm a capacidade de remover bactérias, contaminantes, nutrientes, microalgas e pequenas partículas (eg. lama) da água. São uma peça fundamental na manutenção de equilíbrio saudável no ecossistema marinho. Em estuários como o do Sado, onde existe uma carga de nutrientes muito elevada (por isso as ostras crescem depressa e havia tantas até aos anos 70), os bivalves são importantes para manter o equilíbrio e evitar que o ambiente se deteriore. Os bancos naturais que estão “mortos” encontram-se completamente soterrados por lama, o que não sucederia se as ostras ainda estivessem vivas.

Os Estados Unidos da América têm, desde há quase uma década, vários programas para a recuperação ou introdução de bivalves nos seus estuários. Isto deve-se à logica conclusão que é a forma mais eficiente, barata e ecológica de repor o equilíbrio dos seus ecossistemas.

Mas não é necessário ir ao outro lado do atlântico para ver os benefícios da produção de bivalves. As rias de Espanha, na Galiza, produzem anualmente cerca de 100 mil toneladas de mexilhão. Tanto os produtores como os cientistas reconhecem que, sem esta produção, a qualidade das águas seria muito inferior. Obviamente que uma monocultura desta dimensão trás outros problemas, mas é extremamente importante na manutenção da qualidade das águas.

Recifes artificiais

É inquestionável que os recifes artificiais são benéficos para o meio ambiente, sejam eles estruturas em betão ou navios afundados. Primeiro é preciso entender que o mar aberto ou os fundos de areia/lodo são o equivalente a uma área terrestre extremamente fértil mas que está deserta porque nada se fixa (vamos culpar o vento) e cresce.

São precisamente essas áreas que são adequadas para a produção de bivalves pois têm água com alimento, permitem a circulação de barcos e a colocação das estruturas de produção. São essas estruturas (mesas em ferro, long-lines, etc.) que vão permitir a fixação de animais e plantas expandindo o habitat e aumentando a produtividade natural do local.

A primeira vez que verifiquei esta situação foi em 2002 num mergulho em Sagres onde estava colocados long-lines para produzir ostras (mar aberto, mas muito perto da costa). A estrutura estava montada desde 1996 e era notória a quantidade de peixe que ali se abrigava. Com efeito, os pescadores que inicialmente se opunham à instalação da estrutura, passaram a louva-la e pedir que mais fossem instaladas!

Existem diversos artigos que comprovam este beneficio mas o mais interessante é o Assessment of the Value of Shellfish Aquaculture in the Gulf of Mexico as Habitat for Commercial and Recreational Fish Species, feito pelo departamento de economia da Universidade de Auburn. Este artigo começa a conseguir atribuir um valor monetário ao impacto positivo que a produção de bivalves tem nas actividades como a pesca extractiva.


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