A rentabilidade do investimento em energia solar fotovoltaica

ago 01, 2018

A rentabilidade do investimento em energia solar fotovoltaica

A energia solar fotovoltaica é hoje vista como uma das energias renováveis do futuro. É a terceira fonte de energia renovável mundial, sendo apenas ultrapassada pela energia hídrica e eólica, e continua em expansão acelerada. Ainda fará sentido questionar se será rentável o investimento em energia solar fotovoltaica? E o que é que a resposta pode significar em termos práticos para a nossa realidade?

Bom, se for um investidor da GoParity nos projetos fotovoltaicos disponíveis na plataforma para investimento, já sabe que sim, é rentável. Poderá obter retornos entre os 4 e os 5% anuais, com risco muito reduzido. Mas para estes projetos serem rentáveis para os investidores da GoParity, terão que ser rentáveis para os promotores para justificar a sua implementação. Neste sentido apresento abaixo dois casos reais de projetos, um de produção e venda de energia à rede (UPP) e outro de produção de energia para auto consumo (UPAC). Além das questões técnicas associadas à instalação destes sistemas, teremos também que ter presentes os riscos associados a este tipo de investimentos, que serão alvo de análise noutro artigo.

Para um sistema em regime de Unidade de Pequena Produção de venda à rede (UPP), o mais instalado até ao final do ano passado, o retorno do investimento é mais facilmente calculável dado que existe uma previsão financeira e de produção de energia com uma tarifa de venda à rede que é contratualizada a 15 anos. Mas será o regime mais rentável para investimento? Depende muito do perfil de consumo do local da instalação e das condições contratualizadas para aquisição de energia elétrica da mesma instalação. Hoje em dia uma Unidade de Produção para Auto Consumo poderá ser bastante mais rentável a médio prazo, porque entra em linha de conta o aumento da tarifa da eletricidade e o aumento da previsibilidade da empresa que terá o sistema instalado em relação aos seus custos energéticos. Dado que estes sistemas têm uma durabilidade de 25 anos, estando a produção garantida pelos fabricantes tendo em conta uma degradação aceitável inerente a qualquer material elétrico, estamos a falar obviamente de investimentos de médio longo prazo, que podem inclusive ser determinantes para algumas empresas contribuindo para poupanças energéticas na ordem de 20 até 60%.

UPP – Venda de energia à rede, gera receitas

No caso de uma UPP o retorno é calculado de forma simples, sabendo o montante de investimento total e a produção de energia do sistema x tarifa atribuída. A New Vision optou por esta solução e foi um dos primeiros projetos a ser financiados na GoParity. O retorno do investimento destes sistemas com um valor de instalação típico, ou seja, sem custos adicionais extraordinários como por exemplo sapatas de betão complexas, seguidores, estruturas de estacionamento automóvel, estará entre os 6 e os 8 anos. Já as TIR para investimentos com capitais próprios poderão estar no intervalo entre os 7% e os 12% (a 15 anos), dependendo das condições acima descritas, da escala ou dimensão do sistema e, claro, da tarifa atribuída a cada projeto.

retorno energia solar.png

UPAC – Autoconsumo no local da instalação da energia produzida, com 0 ou pouco excedente

A Cerâmica de Pegões é um fabricante de tijolos com consumos intensivos de energia necessários para o seu processo de fabrico. Em 2006, investiu num forno de queima alimentado a biomassa, mas ainda quis ir mais longe e poupar cerca de 20% do seu consumo, correspondendo a cerca de 408 MWh anuais e, consequentemente, cerca de 53.000,00 € da sua fatura anual de energia elétrica. O sistema de autoconsumo é desenhado para reduzir os consumos diários que são retirados do diagrama de carga da instalação, sendo cruzados com o horário de produção solar para maximizar a eficiência da instalação, como no exemplo do gráfico 1. Podemos verificar que a energia consumida da rede baixa em consonância com a curva de produção do sistema fotovoltaico. Também é economicamente importante não existir ou minimizar o excedente de produção, que neste caso é 0 (100% de energia produzida autoconsumida) pois essa energia será injetada na rede e paga a preço de mercado, que neste momento ronda os 0,045 € kWh, um valor muito mais baixa que o da energia consumida. Este sistema, em investimento com capitais próprios, teria uma TIR de 18% (a 15 ou 25 anos), acima do que seria possível em regime de UPP. Em termos de período de retorno, o tempo estimado é de 5 anos e 1 mês, relativamente mais baixo comparando com a UPP.

Ainda pode investir no projeto da Cerâmica de Pegões!

Captura de Ecrã (221).png

O investimento em energia solar é rentável, e pode mesmo ser mais rentável que muitas alternativas de negócios com yields de 3 e 4% anuais. É ainda uma alternativa válida para investidores que procurem projetos de terceiros, ou ainda para empresas em busca de uma solução para aplicação de capital e/ou redução de custos de energia. Obviamente que a juntar a estes números positivos temos os benefícios ambientais e de imagem associados a este tipo de investimentos, que se têm multiplicado em Portugal dadas as condições altamente favoráveis para a produção de energia através de tecnologia fotovoltaica.

Quer começar a investir em projetos de energia solar fotovoltaica? Saiba que oportunidades temos.

Ricardo Novaes - Business Development @goparity