Risco não sistemático e sistemático
A diversificação é um dos principais tópicos de conversa quando se fala em aconselhamento de investimento. Desde que os mercados se tornaram mais acessíveis, tem havido uma forte ênfase na importância de ter uma carteira diversificada, mas o que é a diversificação e como pode ser realmente alcançada?
Todos sabem que o risco é uma parte inevitável do investimento; afinal, não há almoços grátis. Normalmente, ao escolher investimentos, estamos expostos a dois tipos de risco: não sistemático (também chamado de idiossincrático) e sistemático. O primeiro é o risco específico da empresa; pode ser o risco associado a litígios desfavoráveis, uma catástrofe natural que afete a sede de uma empresa, e assim por diante. O segundo é o risco de mercado, e relaciona-se com o grau em que um investimento acompanha o mercado global.
Construir uma carteira diversificada
É aqui que a diversificação entra em jogo. Essencialmente, diversificar uma carteira significa distribuir os investimentos por vários ativos diferentes para ajudar a gerir ambos os tipos de risco (embora, como veremos, não o faça de forma igual).
Ao deter uma carteira de, digamos, milhares de ações, cada uma com um peso relativamente baixo, reduz o impacto de qualquer evento específico de uma empresa. Se um investimento tiver um mau desempenho, é improvável que tenha um efeito significativo no desempenho global da sua carteira. É aqui que a diversificação faz o que melhor sabe fazer: eliminar quase totalmente o risco não sistemático.
Com o risco sistemático, as coisas não são tão lineares. Este é o risco inerente à exposição ao próprio mercado, impulsionado por forças abrangentes como as taxas de juro, a inflação ou as recessões, que afetam quase todos os ativos até certo ponto. Pode combinar classes de ativos que historicamente tiveram uma correlação baixa ou negativa (ou seja, cujos retornos não se moveram historicamente na mesma direção e na mesma medida) para suavizar a volatilidade global da sua carteira. No entanto, isto não eliminará totalmente o risco sistemático, uma vez que as correlações históricas não são uma lei fixa.
As ações e as obrigações são o exemplo recente mais claro. Historicamente, ambas as classes de ativos tinham uma relação inversa, sendo que a correlação de retorno a longo prazo entre ações e obrigações foi amplamente negativa desde a década de 1990. Contudo, isso mudou em 2022, ano que representou a primeira vez desde 1977 em que tanto as ações como as obrigações registaram retornos negativos no mesmo ano. Embora alguns dados mostrem que esta relação inversa foi parcialmente retomada em 2023, este continua a ser um lembrete de que as correlações históricas entre classes de ativos não são uma lei fixa e podem mudar com o ambiente macroeconómico.
Erros comuns de diversificação a evitar
Embora a diversificação seja uma estratégia crucial para gerir o risco de investimento, os investidores devem estar atentos a algumas armadilhas comuns:
- Diversificação excessiva. Distribuir o dinheiro por demasiados fundos com ativos sobrepostos não acrescenta grande proteção (pode apenas aumentar os custos e a complexidade do investimento, sem reduzir significativamente o risco).
- Confundir "diferente" com "não correlacionado". A verdadeira diversificação significa escolher ativos que não se movem na mesma direção ao mesmo tempo. Por exemplo, comprar ouro, prata e platina pode parecer variedade, mas como estes metais se comportam frequentemente de forma semelhante, não proporcionam o tipo de diversificação que os investidores geralmente procuram.
- Ignorar o reequilíbrio. As carteiras de investimento desviam-se à medida que alguns ativos crescem mais rapidamente do que outros. Sem um reequilíbrio periódico para os pesos-alvo, uma carteira pode acabar muito mais concentrada e muito mais arriscada do que o pretendido inicialmente.
Não se esqueça também de que pode diversificar distribuindo os seus investimentos por vários setores (como tecnologia, cuidados de saúde, energia e finanças), por diversas regiões geográficas, capitalizações de mercado, estilos de investimento, entre outros.
Conclusão
A diversificação é uma abordagem fundamental para gerir o risco de investimento e apoiar o crescimento a longo prazo. Embora não garanta lucros nem elimine perdas, a construção de uma carteira bem diversificada pode ajudar a reduzir o impacto das oscilações do mercado e conduzir a retornos mais estáveis ao longo do tempo.
https://www.justetf.com/en/academy/diversification-protects-your-portfolio.html
https://www.fca.org.uk/investsmart/diversification
https://www.fidelity.com/viewpoints/investing-ideas/guide-to-diversification
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