O Turismo Sustentável de Natureza como via para a diferenciação estratégica de Portugal

Nov 07, 2017

O Turismo Sustentável de Natureza como via para a diferenciação estratégica de Portugal

O Turismo (o sustentável de natureza) é provavelmente a única estratégia que resta a Portugal para recuperar, preservar e dinamizar as florestas e os espaços rurais. A Agricultura falhou na retenção e atracção de pessoas nos espaços rurais.

Com o vazio humano deixado pela agricultura, seguiu-se o abandono do espaço pelos herdeiros. O descuido instalou-se. Com o êxodo para a urbe, perdeu-se a preocupação com as florestas. Perdeu-se o contacto com a natureza. O povo e os seus políticos perderam respeito pelo património natural. Com isso, abriram-se caminhos para as desgraças ambientais dos fogos, das monoculturas, dos desequilíbrios florestais e do desaparecimento da vida selvagem. A falta de água e os desequilíbrios climáticos que estão na ordem do dia, são também o resultado desta desgraça florestal e rural. Serão gerações para recuperar o património que se tem perdido, se é que algum dia o iremos recuperar.

A floresta foi nas últimas três décadas algo desinteressante, sem valor para a maior parte dos portugueses. E uma oportunidade oportunística para algumas indústrias. Os fogos com a frequência, dimensão e natureza criminosa dos últimos anos, nunca antes vistas, chamam a atenção para a importância da floresta e geram debates sobre os inúmeros problemas que assolam a gestão florestal. Talvez este ano se possa dizer “casa arrombada, trancas à porta”. Já não seria mau. Talvez este ano seja diferente dos anteriores e com o Inverno não venha também o esquecimento sobre o debate e as medidas urgentes para a floresta. Talvez não seja necessário esperar pelos fogos e pela seca do próximo Verão para ver toda a gente outra vez a correr atrás do prejuízo.

A natureza minifundiária da dimensão dos terrenos em Portugal, a falta de consciência cívica dos portugueses, os interesses políticos (e os interesses dos que nestes políticos orbitam), e a falta de visão estratégica são um triste cocktail que dificulta o progresso da gestão florestal e minam a sustentabilidade ambiental de Portugal.

Felizmente, o turismo tem crescido, progrediu em quantidade e qualidade. Finalmente o turismo consagrou-se como pilar estratégico do desenvolvimento económico e social de Portugal. E, apesar de se ver hoje ameaçado pelo terrorismo dos fogos que desfizeram uma parte importante do património turístico nacional, o turismo é provavelmente a única via estratégica de salvação da floresta e do espaço rural.

Ancorado a um clima e uma costa invejáveis, está a desenvolver-se em Portugal um tipo de turismo de natureza, ambientalmente sustentável, pedagógico e até espiritual, que, se bem aproveitado, promete também catalisar a recuperação florestal, a sua manutenção e o seu progresso.

O turismo (sustentável de natureza) é reconhecido internacionalmente como forma de preservar as florestas e dinamizador da vida selvagem. Programas europeus como o “Rewilding Europe” reconhecem e apoiam iniciativas que promovam a recuperação da vida selvagem europeia.

O turismo de natureza não só gera riqueza mas também recupera populações rurais, reinventa a agricultura, e canaliza motivação e recursos para a preservação da natureza e das florestas.

As florestas e a vida selvagem são um património de valor incalculável para os países europeus que o souberem reconquistar e preservar. São já factores de diferenciação estratégica.

Se Portugal apostar no Turismo Sustentável de Natureza como actor principal na estratégia de turismo nacional, Portugal tem condições para se tornar num dos países europeus com melhor e mais valioso património natural.