Porque é financiamos uma #FashionRevolution

jun 03, 2019

Porque é financiamos uma #FashionRevolution

por Carolina Ribeiro (MarCom @ GoParity)

A indústria da moda é a segunda mais poluente e das menos éticas do mundo, sendo responsável pelo 4º maior acidente industrial da história (BBC) Mas nem sempre foi assim, nem sempre os portugueses mandaram fora 200.000 toneladas de roupa por ano (APA), e nem sempre vestimos uma peça de roupa, em média, apenas 4 vezes (FR). O chamado fast-fashion é um modelo de negócio que depende e promove o consumo desenfreado, compulsivo e impulsivo, e onde a escala é a única maneira de ser sustentável financeiramente.

Quando, por volta de 2000, marcas como a Zara e H&M descobriram que conseguiam ter designers a criar coleções, junto do consumidor, e produzi-las do outro lado do mundo a um custo muito mais barato, de modo a ter uma nova coleção a cada semana – sim, 52 por ano – e que o consumidor adorava, o mundo da moda viu uma revolução a acontecer, que, não muitos anos mais tarde, viria a revelar o seu impacto gravíssimo no planeta e nas pessoas.

Falemos de factos: em 2013, uma das principais fábricas do Bangladesh produtoras para as principais marcas ocidentais do fast-fashion – H&M, Mango, Zara, Pull&Bear, Primark – ruiu, matando 1138 pessoas (BBC). A indústria têxtil é responsável por uma das culturas mais intensas em químicos (algodão), e a razão pela qual o rio Buriganga, no Bangladesh, é um dos mais tóxicos do mundo, afetando severamente o sistema nervoso e hormonal de cerca 50 milhões de pessoas, que dependem da sua água para a produção alimentar e agricultura (RiverBlue). Só na produção de uma t-shirt, gastam-se 2720 litros de água, o equivalente ao que bebemos durante 3 anos (FR), e 35% da poluição global de microplásticos é causada pela indústria da moda (Boucher and Friot).

Rana Plaza collapsed
I made your clothes
Colapso do Rana Plaza in Dhaka (Bangladesh), 2013, matou 1138 operários têxteis.
A Fashion Revolution iniciou o movimento #WhoMadeMyClothes, que pede transparência.


A Fashion Revolution é um movimento global que luta por uma indústria da moda transparente (todos os anos, é publicado um Fashion Transparency Index), justa e ecológica e nós, na GoParity, queremos participar ativamente, com o melhor que sabemos fazer: juntar cidadãos que queiram investir as suas poupanças com impacto, com projetos de sustentabilidade à procura de financiamento, e que prometam fazer a sua parte nesta transição para uma sociedade mais justa e amiga do ambiente.

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No evento que organizámos no passado mês de abril, no decorrer da Fashion Revolution Week, evento anual que mobiliza mais de 3 milhões de pessoas, tentámos perceber a realidade portuguesa. Tivemos a oportunidade de conhecer vários empreendedores na indústria da moda sustentável, com as suas próprias marcas ou com projetos sociais relacionados com a mesma, e percebemos que o financiamento é um dos principais desafios. É aí que entram os investidores GoParity.

“A indústria da moda é um empregador gigante em Portugal, fonte de paixão para muita gente, e tem apostado muito em sustentabilidade e inovação. Queremos fazer parte desta mudança e dar às pessoas e possibilidade de o serem também” – Nuno Brito Jorge, CEO da GoParity

O nosso primeiro projeto de moda sustentável tem como promotor a Ballūta, marca portuguesa de sapatos vegan, e consiste no financiamento da expansão da marca para Nova Iorque. Serão, assim, angariados 25.000€ pelos investidores GoParity, que receberão 5,50% TANB de juros, durante 5 anos, pelo seu empréstimo.

Invista e saiba mais sobre o projeto aqui

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Fontes: BBC in "Desabamento em Bangladesh revela lado obscuro da indústria de roupas", Associação Portuguesa do Ambiente, Fashion Revolution, RiverBlue, Boucher and Friot 2017