Investir com impacto

maio 11, 2018

Investir com impacto

Se ainda não ouviu o termo investimento de impacto, ou impact investing, como ainda é referido muitas vezes entre nós, prepare-se: é a categoria de investimento sustentável com mais potencial de crescimento segundo vários asset managers internacionais, e tem atraído a atenção do grande público nos últimos tempos. A definição mais comum para investimento de impacto é o investimento feito em empresas, organizações ou fundos com o objetivo de gerar impacto social e/ou ambiental mensurável, além do retorno financeiro. Esta forma de investir está a ganhar adeptos por todo o mundo nos últimos anos, e mostra que quem investe está a ganhar apetência por ter uma palavra a dizer sobre onde o dinheiro será aplicado e com que fins. Tipicamente os investidores que procuram investimentos de impacto só apostam em projetos ou empresas onde é possível medir e quantificar esse impacto. Por exemplo, a redução em toneladas de emissões de CO2 de uma fábrica que instale um sistema de energia solar, o número de crianças que passem a ter educação numa escola por causa de um determinado projeto, uma empresa que utilize troque a sua frota de veículos a combustão por veículos elétricos. Estas variáveis são muito diferentes, mas assentam na premissa que o retorno financeiro não tem que ser sacrificado quando se podem obter ao mesmo tempo retornos não-financeiros. As taxas de retorno destes investimentos vão desde o abaixo da média de mercado até igual ao mercado, dependendo das circunstâncias e dos projetos, e está a ativar o aparecimento de uma nova indústria, que opera na zona inexplorada entre a filantropia e os instrumentos cujo foco único é a maximização do lucro. Apesar destes investidores serem transversais em termos de segmentação, uma pesquisa do Bank of America (BofA) a investidores com nível alto de rendimento mostra que 52% dos millenials (pessoas entre 21 e 36 anos) mostram maior interesse em investir em impacto, enquanto na geração X (entre 37 e 52 anos) esse número cai para 37%, e nos baby boomers (entre 53 e 72 anos), 29%. Esta pesquisa revela também que quatro em cada dez acreditam que as empresas com impacto positivo também apresentam um melhor desempenho financeiro. Em termos de avaliação e credibilidade dos investimentos, a informação apresentada pode ser mais ou menos concreta pelas entidades a partir de onde é possível aplicar o dinheiro. Tipicamente, os projetos apresentados divulgam a par com o retorno financeiro os benefícios de impacto que irão resultar do investimento. A nível internacional já existem mecanismos, sendo que as principais ferramentas de medida utilizadas para orientar investimentos de impacto são: O IRIS (Impact Report and Investment Standards) - Um catálogo extenso de métricas de desempenho geralmente aceites e utilizadas no setor de investimentos de impacto para medir resultados sociais, ambientais e financeiros. O IRIS faz parte do grupo de ferramentas desenvolvidas e disponibilizadas para o mercado pelo GIIN (Global Impact Investing Network).

O GIIRS (Global Impact Investing Rating System) - Um sistema de avaliação de impacto social e ambiental para empresas e fundos, que possibilita uma abordagem analítica e comparativa dos seus resultados. O GIIRS foi desenvolvido pelo B-Lab, em parceria com a Fundação Rockefeller, a USAID, a Prudential e a Delloitte.

Fontes: The Economist, Estadão, GoParity, BCSD,