Financiamento colaborativo para um futuro mais sustentável

set 13, 2018

Financiamento colaborativo para um futuro mais sustentável

O acordo de Paris, mesmo com a saída de última hora dos EUA, definiu metas importantes para restringir o aquecimento global a menos de 2ºC neste século. E a Europa tomou a dianteira, comprometendo-se a reduzir em 40% as suas emissões globais de carbono até 2030. São objetivos ambiciosos, que implicam o envolvimento de todos para os fazer acontecer!

Os últimos anos de desenvolvimento tecnológico em energia renovável e eficiência energética, juntamente com modelos de negócio inovadores, criaram oportunidades empolgantes e competitivas para a transição para uma economia mais renovável, descentralizada, eficiente e limpa. Projetos de grande dimensão têm vindo a ser implementados nos últimos anos, mas hoje em dia estes benefícios estão também ao alcance dos projetos de menor escala, em especial daqueles que encaixam na lógica de negócio e competitividade das PME´s, um segmento do tecido empresarial com especial relevância em Portugal.

Por outro lado, novas modalidades de financiamento suportadas em plataformas peer-to-peer (crowdfunding ou financiamento colaborativo), permitiram abrir novos mercados que conectam investidores com projetos a financiar. Esta é uma área excitante e que tem registado crescimentos significativos, sendo que só na Europa passou de 1.127M € investidos em 2013 para 7.671M € em 2016*.

Acrescente-se uma nova comunidade de cidadãos investidores que procura cada vez mais não só o retorno financeiro, mas também o retorno ambiental e social dos projetos ou empresas em que investe, e estão criadas as condições para um ciclo virtuoso para a concretização de mais projetos sustentáveis.

Na GoParity temos feito a nossa parte e vários projetos sustentáveis contaram com o nosso apoio para lhes dar visibilidade e angariar o contributo da comunidade de cidadãos investidores. Os projetos mais recentes, como o Aminata, ou Pegões Solar, respondem a necessidades específicas de pequenas e médias organizações que percebem o racional económico de se tornarem mais sustentáveis. São projetos cujo investimento se paga em poucos anos com as poupanças geradas pela sua implementação e que permitem um impacto positivo no ambiente.

Em Pegões Solar, a nossa última campanha, estamos a falar de uma empresa de um setor tradicional, cerâmica, mas com uma clara consciência do retorno que pode trazer um percurso para uma maior sustentabilidade ambiental. Ciente de que a energia é uma das principais componentes da sua estrutura de custos, a empresa cedo avançou para a implementação de soluções mais competitivas e amigas do ambiente. Depois de um investimento significativo numa central de biomassa, que assegura toda a energia necessária na parte da secagem e cozedura dos tijolos, avança agora para um novo investimento numa central fotovoltaica, que lhe vai permitir poupanças relevantes e em simultâneo incrementar o seu perfil de consumo de energia renovável.

Este é mais um exemplo, mas são cada vez mais projetos como este, que juntam cidadãos investidores com pequenas e médias organizações, que podem dar um contributo significativo no envolvimento da comunidade para um futuro cada vez mais sustentável.

Por Luís Couto, CFO da GoParity

*The 3rd European Alternative Finance Report