Financiamento alternativo para energia sustentável

Oct 19, 2016

Financiamento alternativo para energia sustentável

Já não há nenhuma razão para um bom projeto de energia verde não encontrar financiamento. (artigo por Nuno Brito Jorge na edição de outubro da revista O Instalador)

Os projetos de energia sustentável (renovável ou de eficiência) têm tudo o que de bom se pode imaginar: reduzem as emissões atmosféricas de poluentes, a dependência energética, benefícios para as pessoas, para as empresas para a economia.

Enquanto nos últimos anos a passagem da lógica dos subsídios para uma lógica de mercado (por exemplo, com a introdução do autoconsumo) abalou com alguma força um setor cujo tecido era composto sobretudo por pequenas empresas, a crise financeira veio trazer problemas graves no financiamento de projetos de energia. De uma maneira geral, ou se tratava de um “credor” com contas mais que exemplares (daqueles que devem haver 5 ou 6 em Portugal), ou as exigências de custo de capital e avais pessoal tornavam o negócio muito menos apetecível.

Quando a este contexto se junta a complexificação dos projetos e modelos de negócio envolvidos – projetos de eficiência energética ou autoconsumo são tipicamente mais complexos e difíceis de explicar que uma Miniprodução com tarifa bonificada - mais difícil se torna obter financiamento por fontes “convencionais”.

Ora as novas tecnologias estão também a permitir dar a volta a este problema, com soluções que levaram a um crescimento exponencial do mercado das finanças alternativas. Modelos como o “crowdfunding” de dívida ou “equity”, os empréstimos “peer-to-peer”, os títulos de dívida, entre outros, observaram um crescimento exponencial nos últimos anos, tendo quintuplicado nos últimos dois. Segundo um estudo da Universidade de Cambridge com a KPMG, o crescimento do mercado Europeu das finanças alternativas, foi de pouco mais de mil milhões de Euros em 2013 para mais de 5 mil milhões de Euros em 2015. A tendência de crescimento é tal que o Banco Mundial estima que se irão atingir os 90 mil milhões de Dólares antes de 2020.

Este crescimento é o reflexo não só das limitações e condições impostas pelo financiamento convencional mas também de uma mudança das mentalidades dos cidadãos que aplicam o seu capital neste tipo de projetos e plataformas, pois procuram aliar a boa rentabilidade do seu capital à criação de valor real. Ao escolher diretamente os projetos que apoiam os investidores sabem em que está a ser aplicado o seu dinheiro e de como são gerados os juros que lhe são pagos.

Para as empresas a solução também é melhor: financiamentos com menor custo de capital, sem taxas e com maior transparência, estabelecendo uma relação direta com os investidores. Além disso é menos frequente ver exigências como os avais pessoais nestes mecanismos, em que cada investidor é consciente do risco que corre.

É desta conjugação de benefícios nasce o Parity, a pimeira plataforma de investimento sustentável de Portugal. Esta plataforma dá diretamente a possibilidade aos investidores de financiarem empresas que se querem tornar mais sustentáveis, apostando em projetos de energias renováveis ou eficiência energéticas nas suas instalações ou processos produtivos. Neste contexto os instaladores e empresas de serviços energéticos desempenham um papel essencial, e são o terceiro grande beneficiário. São eles que tem o acesso a bons projetos de energia verde que com frequência não saem do papel por falta de disponibilidade para o investimento ou de financiamento bancário (para não falar no P2020!).

Instaladores ou empresas de serviços na área da energia podem (e devem!) registar-se no Parity para poderem apesentar os seus projetos. A plataforma promete também apresentar a empresas e energia e instaladores oportunidades de negócio no desenvolvimento e instalação de pedidos que chegam ao Parity por parte de empresas.

Foi para isto que criámos a Boa Energia em 2012, é isto que que queremos fazer desde então e é para isso que lançámos o Parity hoje. Estão todos convidados!